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III - Entre combustíveis e fumaças

  • Foto do escritor: Bernardo Mofe
    Bernardo Mofe
  • 22 de jun. de 2021
  • 3 min de leitura

Atualizado: 16 de ago. de 2021

É notável como Hunter se assemelhava (ou tentava se assemelhar) a Dean em vários aspectos. Tanto no uso sobrenatural de todo tipo de drogas e coisas parecidas, quanto mesmo nas suas aspirações artísticas. Já em relação às qualidades literárias, bem questionáveis, inclusive, de Cassady, Hunter tinha um certo espelho: ambos estavam nas histórias que contavam, não somente pela forma com que se colocavam na escrita, evidenciando principalmente suas perspectivas, mas também porque eram a história. Aquilo só poderia ser o que era se passasse pela visão deles e somente deles. O que, no caso do gonzo, ficou bastante claro com a publicação de “Fear and Loathing in Las Vegas”, o maior sucesso de Thompson, digno de um longa lançado em 1998 dirigido por Terry Gilliam, estrelado por Johnny Depp e Benício Del Toro.

Hunter S. Thompson e Oscar Zeta Acosta no Caesar’s Palace, abril 1971, possivelmente durante a viagem que foi contada em “Fear and Loathing in Las Vegas”. Foto de autor desconhecido. Uma característica bem particular dos dois gêneros literários, que mesmo tendo similaridades com o estilo de escrita de Jack Kerouac, muito pelas abordagens e assuntos tratados, era possível ver notórias disparidades entre os autores, já que Jack era um adepto ferrenho da conhecida "prosa espontânea". Aos 21 anos, em uma carta, o jovem Hunter Thompson escreveu sobre Kerouac:


"O homem é um burro, uma teta mística com miopia intelectual. A coisa do Dharma era tão ruim quanto "Os Subterrâneos" (romance de Jack) e ambos são apêndices murchados de "On The Road" - que nem é um romance em primeiro lugar ... Se alguém não matar esse tolo logo, todos nós iremos ser rotulado como "A geração do Terceiro Sexo".

Difícil identificar muito bem os tons de ironia, sarcasmo ou realidade nesses trechos. Ainda mais porque alguns anos depois, em 1998, o já reconhecido pai do gonzo, fez uma "ode" em uma gravação ao autor da história de estrada que tanto o influenciou. Nela, ele diz:



Muito curioso e importante pensar que Thompson, mesmo não tendo muita afinidade com as características sentimentais e romanceadas de Kerouac, se viu muito influenciado por ele. Doug Brinkley, editor de suas cartas e curador de sua literatura, menciona que sabia bem como Hunter via as obras de Jack e principalmente de "On The Road".



Brinkley ainda relembra que Thompson não gostava muito dos outros livros de Jack Kerouac, tendo afirmado que ele havia lido "Big Sur" e havia achado o próprio uma bela merda. No entanto, mesmo indo contra certos trejeitos dos beatniks, suas viagens em estradas, como fez para São Francisco ou até mesmo para Las Vegas, como mostrado em "Fear and Loathing", certas visitas a lugares famosos pela presença frequente dos beats durante certo período, não teriam sido feitas se não fosse a leitura de "On The Road" que influenciou tanta gente na época, inclusive o próprio Hunter Thompson.


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